Qualificando as Linhas de Cuidado: Triagem de Fragilidade no Idoso e Educação em Saúde Bucal


Hoje, realizamos uma nova oficina de capacitação focada na reorganização das linhas de cuidado da Pessoa Idosa e da Saúde Bucal Infantil. O encontro uniu esforços da Medicina, Fisioterapia e da Odontologia para fornecer ferramentas práticas que otimizem as visitas domiciliares e o fluxo de encaminhamentos da unidade. Na primeira etapa, instruí, junto a minha colega Maria Elisa, as agentes sobre a aplicação do IVCF-20 (Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional) em idosos com 65 anos ou mais residentes na área de abrangência. 

O IVCF-20 é um instrumento rápido e multidimensional de triagem populacional, fundamental na APS para identificar precocemente idosos frágeis ou em risco de fragilização. Ensinar as profissionais a utilizarem o teste foi uma experiência enriquecedora, pois compreendemos como essa estratificação ajuda a priorizar as visitas e as intervenções médicas domiciliares. 

O ponto alto do treinamento foi a simulação de entrevista que fizemos, eu como um idoso sendo entrevistado pelas próprias ACS e respondendo de modo por vezes errático ou confuso, simulando problemas reais nesse tipo de abordagem, para instruirmos quais os cuidados necessários e evitar erros de preenchimento. Os presentes se divertiram com minha simulação imitando modos de falar de alguns idosos prolixos ou pouco instruídos ou até impacientes. Nesse momento a Fisioterapia pôde falar sobre a avaliação de mobilidade, presente no teste, e até mostrar na prática como deve ser feito o Teste de marcha e a medição da panturrilha.
ACSs e outros membros da ESF participando de nossa capacitação

Em seguida, a acadêmica de odontologia conduziu um momento crucial sobre a cronologia da erupção e esfoliação dentária na infância. Ao capacitar as ACS sobre as fases fisiológicas do crescimento e da perda natural dos dentes decíduos ("dentes de leite"), o objetivo foi instrumentalizá-las para orientar as famílias no próprio domicílio. Essa ação simples atua diretamente na gestão da clínica, desmistificando processos biológicos normais e evitando que consultas desnecessárias sobrecarreguem a agenda da equipe de saúde bucal, garantindo o acesso para quem realmente apresenta demandas patológicas.
Eu e Maria Elisa ao fundo, durante encenação de entrevista ICVF-20

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